Pomada Capilar: Testes de segurança indispensáveis
- Tassiana Rosa - Formuladora e CEO Dermaphyto

- 18 de jun.
- 3 min de leitura
Nos últimos anos, o mercado brasileiro de pomadas capilares passou por uma das maiores mudanças regulatórias já realizadas pela ANVISA. A alteração ocorreu após centenas de notificações de eventos adversos relacionados ao uso de pomadas para modelar e fixar os cabelos, incluindo casos de irritação ocular intensa, queimaduras químicas na córnea, visão embaçada e perda temporária da visão.
Diante desse cenário, a ANVISA publicou a RDC nº 814/2023, estabelecendo novos critérios para regularização, comercialização e comprovação da segurança desses produtos. Entre as principais mudanças estão o enquadramento das pomadas capilares sem enxágue como produtos sujeitos a registro sanitário, exigências adicionais de segurança cutânea e ocular e regras específicas para composição da fórmula.
Mudanças na formulação
Um dos requisitos técnicos introduzidos pela nova regulamentação é que as pomadas capilares contenham concentração inferior a 20% da soma de álcoois etoxilados, incluindo o Ceteareth-20 (álcool cetoetoxilado). Na prática, as empresas trabalham com limite máximo de 19%, garantindo uma margem de segurança para atendimento à legislação.
Além da composição, a empresa fabricante deve demonstrar que o produto é seguro nas condições reais de uso, especialmente em relação ao contato acidental com os olhos.
Segurança comprovada por estudos clínicos
A regulamentação atual exige uma avaliação técnica muito mais robusta do que anteriormente. O desenvolvimento de uma pomada capilar segura passa obrigatoriamente pela comprovação de sua segurança por meio de estudos clínicos.
Os principais ensaios recomendados são:
HRIPT – Avaliação da Irritabilidade Dérmica Primária, Acumulada e Sensibilização
Conhecido como o teste que permite a alegação "Dermatologicamente Testado", o HRIPT avalia o potencial de irritação e sensibilização da pele após aplicações repetidas do produto.
O estudo contempla:
50 voluntários saudáveis;
Homens e mulheres entre 18 e 65 anos;
Fototipos I a IV;
Pele íntegra na região dorsal;
Acompanhamento dermatológico durante todo o protocolo;
Disponibilidade médica para atendimento em caso de reações adversas;
Emissão de relatório técnico com análise crítica e conclusão dos resultados.
Estudo Clínico Dermatológico de Fototoxicidade e Fotossensibilização
Esse estudo verifica se o produto pode desencadear reações cutâneas após exposição à luz, sendo especialmente importante para produtos de uso frequente e sem enxágue.
O protocolo inclui:
30 voluntários saudáveis;
Homens e mulheres;
Faixa etária de 18 a 65 anos;
Fototipos I a IV;
Avaliação dermatológica especializada;
Monitoramento clínico durante todo o estudo;
Relatório técnico conclusivo.
Investimento para realização dos estudos
Conforme orçamento apresentado pelo instituto de pesquisa clínica, os investimentos são:
Estudo | Investimento |
HRIPT – Dermatologicamente Testado | R$ 600,00 |
Estudo Clínico Dermatológico de Fototoxicidade e Fotossensibilização | R$ 400,00 |
Submissão do protocolo ao Comitê de Ética (CEP) | R$ 2.000,00 por protocolo |
Investimento total: R$ 4.880,00, já considerando o desconto aplicado na proposta. O prazo estimado para emissão dos relatórios é de aproximadamente 100 dias / Por cada produto.
O que deve ser enviado para os testes?
Para execução dos estudos, o instituto solicita:
Produto em embalagem descaracterizada;
Aproximadamente 150 g de amostra;
Modo de uso;
Fórmula quantitativa;
Informações de lote, fabricação e validade;
Produto sem identificação da marca comercial.
Muito além da conformidade regulatória
Mais do que atender à legislação, a realização desses estudos demonstra o compromisso da marca com a segurança do consumidor.
Produtos com comprovação científica apresentam maior credibilidade perante distribuidores, profissionais da saúde, órgãos reguladores e consumidores finais, além de reduzir significativamente os riscos de eventos adversos e questionamentos regulatórios.
Com a publicação da RDC nº 814/2023 e, posteriormente, do Manual para Comprovação da Segurança Cutânea e Ocular de Pomadas Capilares pela ANVISA, a avaliação clínica deixou de ser apenas um diferencial competitivo. Hoje, ela representa uma etapa estratégica para o desenvolvimento de pomadas capilares seguras, eficazes e aptas à regularização no mercado brasileiro.




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